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" Ô, Tia! Você não atualiza mais seu blog???" assim reclamou com razão meu sobrinho querido Saulo. É verdade. Quero meu tempo de volta. Sei que continuo unica dona de minhas preciosas 24 horas, mas a sensação que tenho é que não consigo retê-las em meu poder. Sentar-me deliciosamente em frente ao computador então, parece sonho quase impossível.Mas... Esta semana surgiu uma oportunidade de expor no Shopping Sorocaba, A semana passou rapidinho e hoje é o ultimo dia .Como sempre conheci pessoas maravilhosas que ficarão guardadas em minha memória e farão parte de minhas histórias (e como gosto de contar histórias!) Como me emocionei ao ver uma senhora que após ficar uns quinze minutos olhando o quadro 'Meu Mundo Prefeito- a casa em que nasci ' se desmanchou em lágrimas. Fui conversar com ela , e precisei esperar ela se recompor, tamanha era sua emoção. Então ela me disse que fizera uma viagem ao passado, onde reencontrou a casa em que ela nasceu em Itapeva, seus pais, seus irmãos, suas brincadeiras de infância...Mais emocionada ela ficou quando lhe disse que aquela era a minha infância. São coisas assim que me fazem me sentir realizada e a sensação de que fiz o que era pra ser feito. Sei que ela não compraria meu quadro, inclusive ele não está à venda,. (se quisesse já o teria vendido muitas vezes. ) Mas aquele momento de emoção ficou impregnado junto às pinceladas multicoloridas , em cada pontinho que faz parte da história desse Meu Mundo Perfeito. Espero que hoje seja, mais uma colheita de belas histórias para contar. E não se preocupe, Saulo, eu volto. Mil beijos pra você. Saiba que eu te amo, e que se pudesse, você estaria sempre ao meu lado, fazendo parte de minha história, e eu da sua. Quem sabe um dia ...Você sabe de meus sonhos eternos... Bernadeth Rocha

criado por bernadethrocha
11:18:59

criado por bernadethrocha
22:07:02

criado por bernadethrocha
15:12:08
Sempre aguardo com expectativa a florescência das árvores em frente ao meu atelier. Já perguntei à muitos para descobrir o nome delas, mas ninguém sabe; pensei em procurar no google, mas por falta de tempo acabou ficando. As " minhas" são idosas, velhas senhoras cobertas de musgo e parasitas que muitas vezes derrubam galhos porque estão apodrecendo( interessante que as conheci criança, num passeio que vim fazer a esta cidade com uma de minhas irmãs, que namorava um rapaz daqui. Com meus novos amigos, corremos pela sombra delas em intermináveis brincadeiras. Por coincidência, hoje moro aqui e meu atelier é nessa praça) .
Mesmo assim, vem o inverno e desnuda seus galhos, que como braços abertos se erguem para o céu. De repente, quase sem que se perceba elas se cobrem de verde e começam a produzir milhares de pequenas flores amarelas que caem ao sopro da mais leve brisa.

Desta vez então, com esta primavera atípica, com este vento e frio de Outubro o espetáculo está sendo ainda maior.
Terça à noite, um vento forte soprou e houve uma nevasca, pois as flores são tão leves como flocos de neve que descem rodopiando no ar. Em poucos minutos a calçada, o gramado, os bancos ficaram amarelos, transmitindo uma sensação de festa e alegria. Quando terminou a aula da noite, brincamos na praça com Sofhia, Hanna e Betão nossos cachorros , que vibravam com a liberdade.

Interessante é observar a reação das pessoas que passam. A maioria não as vê, para outros é apenas um incômodo, flores que esmagam sob os pés e sujam a cidade. A dona do imóvel aonde fica meu atelier acha que deveriam ter sido cortadas na reforma da praça: " só servem pra sujar!"
Quanta insensibilidade!
Implacáveis, as velhas senhoras atravessam o inverno cada vez mais quente e aguardam a primavera, quando escrevem melodias silenciosas , poemas em forma de flores que enchem de alegria o ar.

Indiferentes ao que os homens tem feito à natureza, elas continuam cumprindo um ciclo e proporcionando uma festa para aqueles que têm olhos para ver. ( como minha doce Carolina que entendeu que aquele foi um momento especial, grandes presentes da vida veem em pequenas embalagens.)
Bernadeth Rocha

criado por bernadethrocha
08:01:34
O domingo começou preguiçoso, o cansaço e a incerteza de mais um dia me prenderam entre as cobertas, principalmente porque as frestas da persiana lançavam nas paredes de meu quarto reflexos da árvore que balançava ao vento lá fora.
Não se concretizara as esperanças de um lindo dia de sol que muitas vezes eu já vira depois de um dia de chuva. Por isso nem tive presa. Li um pouco, fiz comida para os pobres cachorros que já estavam se sentindo abandonados, limpei o quintal. Tudo sem pressa. Depois de muita enrolação, fomos à Sorocaba, observando o céu que parecia cada vez mais limpo e chegamos depois das onze. Que surpresa!
De longe já observamos os corredores práticamente tomados pela multidão, os outros standes em pleno funcionamento e só o nosso fechado.
Que alegria! Arrumamos rápidamente os quadros e as peças de madeira que ainda tínhamos para vender, já com as pessoas entrando e querendo saber tudo: os preços, quem eram as artistas, se tínhamos um atelier, se damos aulas, enfim , foi um dia delicioso de feira, mal tivemos tempo para sentar.
Entre uma venda e outra tomamos uma cervejinha entre as deliciosas árvores do empório ao lado, curtindo um delicioso violão. ( meu marido dizia: " como marido de artista sofre!" entre um espetinho e outro )
Enfim, foi um dia realmente de primavera, o vento só resolveu soprar no fim do dia, mas aí a missão já estava cumprida. Desarmamos o
' circo' rapidinho em comparação às 6 horas que levamos para montar, colocamos tudo nos carros e viemos embora , cansados mas felizes, já pensando nos erros que poderão ser corrigidos para a próxima vez.
(Confesso que enquanto estava naquele frio danado e com o pé dormente por estar molhado eu jurei: " essa foi a ùltima vez!"
Bernadeth Rocha

criado por bernadethrocha
23:09:45